sexta-feira, 6 de março de 2015

[sem título]

. . Por Hugo Ciavatta, com 0 comentários









Aconteceu mais ou menos comigo ano passado. Mais pra menos que pra mais. Sai de casa no fim da tarde e vestia um tênis, um shortinho e uma camiseta apertada, levava o cabelo em coque e a barba sem raspar havia algumas semanas. Sou desses. Eu ia correr, apenas correr na avenida, mas no quarteirão de baixo eu ainda caminhava quando, em sentido oposto ao meu, na mesma calçada, vinha uma moça. Ela vestia um tênis, um shortinho, uma blusinha apertada, levava o cabelo preso mas não tinha barba. Ela era igual a um zilhão de garotas. Cruzamos o passo na frente do estacionamento de um restaurante bem movimentado. Ela tinha fones nos ouvidos, eu, não. Daí ouvi dois fiu fius quase simultâneos, alguma coisa que não entendi bem, mas que se referia à bunda, mais um convite pra ir lá chupar alguma coisa. Parei, me virei pro estacionamento, o que ouvia vinha de um grupo de homens que entrava ali. Eles todos olhavam pra garota, que seguia caminhando. Levei as mãos à cintura, separei uma das pernas e falei alto, rasgando a voz:


- Brigaaadah, genthyyy! Ameeey, vocês são todos uns liindos - enquanto levantava uma das mãos e apontava lentamente pra cada um deles com o pulso quebrado.



Nunca havia recebido olhares como os que recebi nesse instante. Dei a volta por trás do quarteirão e passei o resto da noite em casa. Não passei mais na frente daquele restaurante, tampouco corri no mesmo horario.



Os olhares não são os mesmos, claro, mas as mulheres sentem algo parecido com isso todos os dias, a maior parte da vida.





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