quinta-feira, 21 de julho de 2011

Ao Senhor (parte II)

. . Por Hugo Ciavatta, com 5 comentários


Sabe, meu rapaz (me perdoe a intimidade precoce, mas na minha terra, antes de cruzar o “largo rio poluído” e chegar na Ilha Mais Grande, quando mal começa uma amizade, a gente já trata o outro como se fosse irmão, já põe logo dentro de casa pra tomar um cafezinho... precisa ver), não fique aí com esse seu papo “científico”, misturando estatística, auto-ajuda, biologia, física e química. Chutar o balde com as religiões, muitos já o fizeram, de Hobbes, Marx e os mais próximos, do século XX, e olha que o fizeram com classe, quero dizer, com propriedade, mostrando o quanto os caminhos da sociedade e da própria vida são desencaminhados... Nem precisaram de números e exemplos “concretos”, afinal, um moço esperto da minha terra já dizia, em suas primeiras páginas, que “cada um, com o que quer, aprova” (Guimarães Rosa). Portanto, as Igrejas também não se cansam de “evidenciar” a existência de Deus. E, olha só, imagina o “mundo” da literatura sem Mefistófeles, do Goethe, em Fausto. Tudo bem, vai, pra você, “cientificamente”, “estatisticamente”, não existe “mundo da literatura”, já que “a Arte é uma mentira” ... Peraí, não dizia o Picasso que “a Arte é uma mentira que nos ajuda a compreender a verdade”?! É... “ajudar a compreender” não é provar a verdade... Mas, pensa agora no “mundo” da filosofia, da parte de “cá”, do ocidente, pra simplificar, esquecendo o pessimismo de Schopenhauer, Heidegger, chegando em Foucault e passando por Nietzsche?! Tem razão... não faria a menor diferença, justamente porque, como você parece dizer, o que importa é o Homem e sua Bondade, a capacidade de fazer o Bem, não de ficar “pensando demais”... Mas ... E todo o século XX, que nasceu junto à Psicanálise praticamente... tudo jogado fora?! Ok... coisas que a Dona Probabilidade explica, já que, no fundo, no fundo, deve ser tudo coisa de gente mal resolvida... de gente “errada”, né?! ... “aleatória”... pra usar a linguagem mais apropriada... Não consigo arranjar argumentos, não adianta...

Mesmo assim... por favor... pare com essa ladainha, não percebe que está fazendo uma “Religião da Ciência”, já imaginou que chato se daqui a pouco todos só derem ouvidos aos escritos das revistas de “ciência”. Até mesmo a música pode desembestar em preconceito, violência, extremismo, na necessidade de afastar, excluir, aniquilar o Outro para se afirmar, alguns representantes do Black Metal norueguês que te expliquem, meu caro... eles também acham perda de tempo esse negócio de religião... se falar pra eles em Cristianismo então... noossa... (dica, assista ao Metal - A Headbanger's Journey - 2005).

O senhor já ouviu um sambinha?! ...

Na minha terra, que é bem, bem grande, e muito heterogênea, dizem que é a região mais católica, em termos absolutos, do mundo. Pois é, mesmo assim tem crescido o número de pessoas que aderiram ao Ateísmo. Por mais estranho que soe o “aderir”... É comum ouvir, “troquei” a religião pela Ciência. Veja, quando se diz “religião”, em geral, muitos estão se referindo ao cristianismo, porque, antes de qualquer coisa, mesmo que tradicionalmente católica, minha terra é muito cristã. Precisa ver como cresce o movimento pentecostal, neo-pentecostal, renovação carismática. Olha, é um “novo” mundo de tantas ramificações, subdivisões, me perco sempre, enfim, são cristãos. São muitos, já ouvi até que o espiritismo é não só uma “religião”, mas também uma “ciência”. Aí minha cabeça deu um nó... como assim?! ... difícil... Mas eu me referia a “troca”, então, em resumo, parece uma questão de crença em uma ou outra... Não quero bancar o relativista absoluto, só queria mostrar que o barato não é “trocar”, aí sim, tanto faz... Mas é a postura diante de cada uma delas, por favor, já reparou no seu blog, é de assustar as declarações ali, não? Quanta certeza... pior que muitas Igrejas, vou te falar pra você, viu... Intolerância tem em todo canto... Olha, nada mais démodé que uma postura evolucionista, não acha?! Ô atraso, rapaz... pensar que o fim da religião nos tornará melhores, construindo uma “nova” religião... que coisa, não? …

(continua)

5 palpites:

hugo, meu caro: onde diabos vc quer chegar com isso?????

smac

É um texto do jovem Hugo, antes dele chegar à maturidade do MI...hehehe...

Mas Peixe, duas considerações:

1- Nós temos sempre que chegar em algum lugar quando escrevemos?

2- Você não vai mais escrever para nós?

Beijos...

Aí, como isso aqui tá muito auto-referente (caramba, é um intelectual falando?) resolvi intervir: quando quiser ficar um pouco inteligente vou correr pra cá, mas não sei se o velho Rick (http://richarddawkins.net/) vai fazer isso. A ideia é que não, não?

Hugo: démodé é dizer démodé pra gente démodé, rapaz!

Peixe: pra responder ao Thiago: não, não se quer nada, mas que se chega, chega, não?

abraços meninada, Caconde!

À guisa de um comentário (me sinto obrigado a falar assim, pelo tom intelectual que tem essa gente toda, Caco...)

1 Chinês, tô com Caconde, que, aliás, é tão inteligente que é Doutor em Sociologia: não é uma questão de prepotência o querer chegar a algum lugar, mas, já que se chega inevitavelmente... (Vou meditar sobre isso, uma hora respondo - ou não)

Mas há indícios de que o Hugo está sendo pretensioso neste texto:

1) é uma carta, endereçada a alguém que não vai lê-la, mas pressupõe que outros vão. Como quem entra aqui no blog entra porque concorda com a maioria das coisas que vocês escrevem, suponho que a quantidade de pessoas que discordam do núcleo do argumento do Hugo contra o Rick (Amigo do Caconde, pelo jeito) tende a zero. Sendo assim me parece um texto para bater em cachorro morto (ainda que esse cachorro morto seja vivo noutro contexto). Não é, portanto, um texto polêmico, embora deseje ser (o Hugo está se especializando em errar o alvo... né, fofurinha?) {Hugo, pelo amor da literatura, abandone logo essa mania de tratados intragáveis de Antropologia e escreve coisas mais gostosas de ler, tipo, assim, descrições como só você e os melhores cronistas sabem fazer...)

2) não é um paragrafozinho provocador, mas um tratado de três partes escrito em antropologês. Um esforço desta magnitude só pode, na minha preguiçosa cabeça, ser movido por algum objetivo maior.

Estou lendo só porque é o Hugo que está escrevendo, porque se fosse em algum outro saite ou revista ou jornal ou porta de banheiro público eu jamais me daria este trabalho: puta texto chato, sobre um tema chato e demodê (to com Caconde novamente)

enfim, espero que a conclusão valha a pena (minha) e as teclas gastas (do Hugo)... mas to duvidando.

smac

ah, Chinêsinho, eu to escrevendo um textinho bem despretensioso pro Hugo... depois, se ele gostar, ele bota aqui...

smac

ps: a senha que tão me mandando botar aqui é "presadis": me lembrou do Mussum. Vou começar a endereçar as minhas cartas pro Rick assim....

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