VÍDEO: MURILO CAMPANHA CONTA ITATINGA

O psicanalista Murilo Campanha fala sobre Itatinga, um dos maiores bairros de prostituição da América Latina, onde ele tem seu consultório.

O nadador

Uma crônica de Hugo Ciavatta.

Ainda que as bolachas falassem

Crônica de Fábio Accardo sobre infância e imaginação

Ousemos tocar estrelas

Uma reflexão de Thiago Aoki.

Entre o amarelo e o vermelho

Uma crônica de Hugo Ciavatta

O homem cordial vinhedense

A classe média vai ao barbeiro. Uma crônica de Caio Moretto.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Avesso do Avesso

. . Por Thiago Aoki, com 5 comentários

Não é de hoje que se criticam as metrópoles. Baudelaire já o fazia com muita propriedade em Paris muito tempo atrás. Foi ele, inclusive, que cunhou o termo "flâneur", que em francês significa algo como "passeador", aquele que vaguei pela cidade a contemplá-la, sem rumo. E transformando a historia num disco riscado que insiste em reptir seus trechos é sempre ela, a cidade, o objeto de reflexões e disputas.

Não há sorrisos em São Paulo. Por trens e ônibus, os olhares fatigados, impotentes, quando não fechados em sono, poucas vezes deixam escapar um sorriso. A impessoalidade reina - cada um com seu sofrimento, no seu espaço. O bom-dia com sorriso entusiasta, que ando fazendo como provocação, assusta os funcionários acostumados a seguir rígidos protocolos gerenciais que não incluem tal expressão. E uma cidade sem bom-dias é uma cidade triste.

Mais jovem, quando passeava em São Paulo, gostava de tentar adivinhar onde as pessoas desceriam no metô. "Aquele japonês vai descer na Liberdade..Deve trabalhar em algum restaurante.." Mas trabalhando aqui, vejo que pouca graça tem a brincadeira. É muito fácil, pois no horário do rush, todos vão para o mesmo lugar: o próximo ônibus, o próximo trem, a próxima espera. Em uma palestra com um grande arquiteto, ele nos disse sobre o desafio de se fazer um arquitetura provocativa em uma cidade como São Paulo, onde a média de tempo que as pessoas levam para chegar ao trabalho é de 3h. Seguindo a risca o racicínio, são 6h diárias de transporte. Ou seja, correto mesmo seria a jornada de 2h diárias de trabalho para completar 40h semanais. Mas acho que essa lei não passaria na câmara.

Nos novos metrôs, não é mais o operador que narra as estações, colocaram a gravação de uma mulher de voz bonita que finge não estar cansada. Fico pensando no tédio do maquinista cujo tajeto são idas e vindas de linhas retas, como a esteira dos Tempos Modernos de Chaplin. Acelera... Breca... Acelera... Breca... Acelera... Opa, mais um corpo se jogou contra o trem... Breca... Acelera...

Antes de estar em São Paulo, adorava aquela máxima: quanto mais conheço os homens, mais gosto dos meus cachorros. Achava pessimista e provocativa. Mas quando vejo, por estatísticas, que a metrópole possui mais pet shops do que padaria, começo a me preocupar. É preciso ser humanista em São Paulo

Aliás, matuto cá dentro que diabos seria a política em São Paulo. No sentido original da palavra, política (politeia) significa a "prática da cidade(polis)". Agora entendo porque quando alguém fala algo que não entendemos, dizemos que está "falando grego". O termo está longe de ser viável. Seja para empresários enforcados em suas gravatas ou por Zumbis que vagueiam nos vagões feito zumbis, a cidade está longe de oferecer oportunidades. Os versos nas paredes do metrô parecem tentar resistir, provocar: pare, leiam... O mesmo o faz a pichação vândala e necessária no prédio do banco: "São Paulo, pare pra pensar". Em vão, aqui, parar é ser atropelado.

Sim, São Paulo tem diversidade cultural, riqueza gastronômicas, tecnologia, agito, salários elevados, museus, shoppings, grandes empreendimentos, mas por vezes a imagem que me vem, e não sai, à cabeça são de homens e mulheres. Talvez não tenhamos, ainda, conseguido interpretar muito bem o que Vinícius de Moraes quis dizer com "túmulo do samba".

De qualque forma, asssim como um peixe busca a água para respirar, é preciso encontrar, ou criar, em São Paulo - na ponta de cada spray, no buraco de cada muro, no poema em cada parede, no sorriso em cada bom-dia, na dor de cada passo - a resistência.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Viva a Vaia

. . Por Thiago Aoki, com 5 comentários

Farei aqui uma coisa pra lá de paradoxal: teorizar a cultura, talvez a categoria mais prática da humanidade.

O Conto

Certo dia, em um país da América Latina - que por ser grande era gigante e por ser pouco era adormecido - resolveu-se fazer uma gande competição, o tradicional torneio pan-americano. Finalmente, uma modalidade nada popular no país, a ginástica olímpica, foi centro dos holofotes. Isso porque existia nesse país uma tal de Daiane do Santos que encantava o mundo com suas peripécias no tablado, era irresistível. Eis que, durante a final, com o superfaturado e superlotado ginásio, as vaias somaram-se quando uma das estadunidenses, rival da brasileira, foi se apresentar. Os microfones tentaram, com pouco sucesso, pedir para que os anfitriões não cometessem tal vandalismo e os jornais, no dia seguinte, noticiaram a falta de educação da fervorosa plateia. Por fim foi a vez de personalidades e políticos, de moralidades peculiares, repudiarem tal atitude. O convento estava armado quando a organização resolveu descupar-se publicamente pelo comportamento incível da população. Cada tiete que estava presente naquele dia sentiu-se um pouco envergonhado consigo mesmo e pela heresia que cometeu contra a imagem da sólida, íntegra e púdica nação. Em entrevista à maior emissora do país, Geraldino, um dos presentes, disse que está profundamente arrependido e que, dali em diante, apenas futebol...

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Logo...

Os últimos dias têm sido de intensa reflexão e trabalho, o que tem justificado minha ausência nesta Mistura Indigesta. Precisava de algum jeito compartilhar para os assíduos leitores as discussões riquíssimas das quais tenho participado durante o programa de integração do Sesc-SP - que incluiu conversas saborosas com Antonio Cícero, Antunes Filho, José Márcio Barros, entre outros.

Seria impossível fazê-lo por completo, mas de algum modo tudo pode ser resumido no conto acima, baseado em fatos reais.

O grande desafio da cultura brasileira tem sido em "dessacralizar" a arte, retirá-la do altar em que se encontra, levando ao maior número de pessoas, porém sem peder sua essência, sem banalizá-la. Por vezes, a produção cultural nos seus diversos campos tem rumado o oposto, a elitização, a necessidade de um trabalho dito "conceitual", mas que por vezes acaba por se tornar, por que não, alheio ao coidiano, à vida e à participação do público, principalmente aquele que tem menos contato com as linguagens. Pode chamar isso de democratização, dessacralização, direitos culturais. Mas o fato é que, assim como a ginástica artística, os artistas precisam do público e o público da cultura.

O grande erro, no sentido oposto, é a imposição de disciplinas e "etiquetas degustativas" ao público que, por vezes, não está familiarizado com determinada linguagem artística. Assim, tanto os torcedores do conto não saíram incentivados a assistir novamente a apresentação como - bem dito por Rubem Alves em uma de suas palestras de meses atrás - "a literatura começa a morrer quando obrigamos um aluno a ler este ou aquele livro". É também o que costumamos fazer ao exigirmos determinados padrões de comportamento aos espectadores, ou ao assumir julgamentos morais sobre o público. Ou mesmo quando preocupamo-nos mais com a forma do que com o conteúdo. Educar (depurar) o olhar do espectador, sem disciplinar, sem impor, sem reprimir, é fundamental.

Além disso, a cultura não deve parar. Deve estar em movimento. Deve dialogar com os grupos, com a comunidade. Deve buscar o novo, o espontâneo. Deve ir e vir. Deve ter o "ser novo" como único princípio perene. Deve ser porvocativa e contestatória. Deve ser autônoma. E, acima de tudo, deve não estagnar-se em meio a tantos deveres.

Equilibrar a equação entre Inovação, Educação e Dessacralização (termo que prefiro e roubo aqui de Sérgio Vaz). Está tudo muito superficial aí em cima, mas é nisso, entre obras e administrativisses, que tem se resumido o dispêndio de neurônios da minha mísera cabeça oriental durante esses dias.

Tá bom, é gostoso...

Mas precisava desabafar!

(e dar notícias...)

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Quão abstrato pode ser um conceito?

. . Por Fábio Accardo, com 4 comentários

Olhem para a figura ao lado - que me dizem? Um desenho qualquer? Arte? Arte abstrata? Quadrinhos? Arte abstrata em quadrinhos? Tive a mesma reação assim que uma amiga me mandou o link do blog abstractcomics. Somente me enchi de dúvidas acerca do que se tratava. Desde sempre as histórias em quadrinhos (HQs), os comics, tiveram uma linguagem mais ou menos delineada para o meu entendimento. Eram páginas que misturavam vários tipos de linguagens como a escrita, o desenho, a arte gráfica, com um objetivo de contar um história, numa arte seqüencial lógica, com cronologia que levaria ao fim da história ali proposta. Seria eu (ou uma gama de fanáticos por quadrinhos) tão ultrapassados assim para não compreender algo que se diz comics?
Fiquei vários dias com isso na cabeça (e várias noites atordoando essa amiga com minha inquietações). Quando não se tem uma base teórica ou empírica para esse tipo de abstração, não se chega a nenhum conclusão acerca desse tipo de assunto. No entanto, nos esforçamos. Deixamos que a fruição estética nos desse algumas pistas sobre o que analisar em alguns desses exemplares do blog. Juntamos à essa fruição o pouco que sabemos, lemos e vivenciamos do mundo dos quadrinhos e da vida. E que conclusão chegamos?

As férias chegaram e me joguei na leitura de alguns quadrinhos como Will Eisner, Art Spiegelman, Alan Sieber, Liniers, Malvados. Estava dentro do que se pode chamar quadrinhos "normais" até quando me deparei com o abstractcomics. Impossível não tentar enxergar a mesma lógica dos quadrinhos nessas obras. Logo a primeira pergunta: mas isso é quadrinhos? O que me levou ao questionamento seguinte sobre o que definiria, então, quadrinhos. Das definições a escolhida foi de W. Eisner, que configura quadrinhos dentro do que se chama arte sequencial e define como "o arranjo de fotos ou imagens e palavras para narrar uma história ou dramatizar uma idéia". Claro que é uma escolha pessoal por uma definição, mas me parece a que pode melhor abranger as diversidades do que se pode dizer quadrinhos.

Atendo-se mais um pouco à definição: arranjo de imagens e palavras para narrar uma história. O que vemos é que alguns elementos parecem necessários estar presentes para que se configure como uma HQ. Por outro lado, os tais quadrinhos abstratos parecem brincar com esses elementos. Por exemplo aquele primeiro exemplo no início desse post: chama Mosaic-Pretzel, ou seja, é um Pretzel (daqueles de comer!) formado por mosaicos (uma técnica artística). Nele temos a presença da divisão em quadrinhos, de desenho, de cores, de movimento, mas que lhe falta uma narrativa, uma lógica seqüencial. Deixando-se levar pela percepção estética, podemos viajar um pouco nas cores, nos tamanhos, nas formas, no entanto, a estrutura dos quadrinhos parece se perder sem uma objetividade.

Nesse outro exemplar vemos uma seqüencia lógica de preenchimento. Começa com poucas letras e vai completando os espaços com mais letras, algo com movimento e tempo. Não há desenhos, apesar de aparecerem algumas formas na conjunção das letras, mas nada que configure como algo compreensível. Mesmo as letras parecem não dizer nada, ou seja, não estão num arranjo de palavras, não configuram algo semântico (não tive saco de ficar procurando palavras, tipo um jogo de caça palavras - se encontrarem me avisem!). Num esforço gigantesco podemos interpretar algo (ponto pra Lais): parece as letrinhas da Matrix e elas vão se preenchendo, como se estivesse aumentando as informações, algo que no filme é visto como uma compreensão mais apurada da realidade. No fim tudo parece se misturar, perde a nitidez, as informações se embaralham, assim como a internet, com muita informação mais que pode confundir mais que informar. Loucura? Identificamos esse com menos cara de quadrinhos mas parece dizer mais coisas.


Há muitos outros exemplares que podemos ficar brincando de interpretar (ou seria de apreciar a arte?), mas afinal o que realmente significa isso? Ou em outras palavras: que porra é essa? Descobrimos que no ano passado foi lançado no Brasil uma antologia chamada Abstract Comics que conta a história do que vem a ser esses quadrinhos abstratos e reúne inúmeros de desenhos desse tipo.
O marco inicial, segundo a antologia, parece se dar com uma dos nomes de peso das HQs, Robert Crumb, mas que ainda flerta muito com os quadrinhos, sendo mais uma abstração, uma criação psicodélica. Ao que parece essa corrente de artista gostam de brincar com os limites das definições, querem embananar o meio de campo tentando desintegrar os conceitos do que faz ser quadrinhos, mesmo ainda trazendo os elementos que o compõem. No flickr da editora fantagraphics do livroum trecho que nos explica melhor: "cartunistas e outros artistas jogaram com a possibilidade de quadrinhos cujos painéis contêm pouca ou nenhuma representação de imagens, e que não contam histórias que não sejam as que resultam da transformação e interação de formas em todo o layout de uma página de quadrinhos. Reduzido aos elementos mais básicos dos quadrinhos - a grade do painel, pinceladas e, por vezes cores -, os quadrinhos abstratos destacam os mecanismos formais que sustentam todas as histórias em quadrinhos, como o dinamismo gráfico que leva o olho (e a mente) de painel a painel, destacando também uma interação esteticamente rica entre a seqüencialidade e layout de página" (tradução própria - googleolizada).

Afinal, a que conclusão chegamos? Nenhuma. Ok, podemos conviver com os quadrinhos abstratos, mesmo que isso às vezes pareça não fazer sentindo. Até podemos gastar um tempo olhando e tentando entender alguma coisa, viajando, abstraindo coisas. Tentem. É divertido. Mas ainda assim prefiro os quadrinhos....os normais!


















Aliás, to precisando terminar um deles para emprestar pra Lais - maus...


segunda-feira, 12 de julho de 2010

Roberto Piva

. . Por Thiago Aoki, com 2 comentários

"Eu só acredito em poeta experimental que tenha vida experimental" (Roberto Piva)

Entorpecidos, caminhando na corda bamba do futebol e do assassinato, não vimos passar Roberto Piva, poeta brasileiro morto em 3 de julho de 2010, aos 73 anos.

Antes tarde do que mais tarde. Surrealista? Geração Beat? Poeta Maldito? Os dois vídeos que se seguem falam mais do que eu poderia escrever. Um documentário apresentado no DocTV e um trecho do filme de Ugo Gioretti, no qual Roberto Piva lê suas próprias poesias.


domingo, 11 de julho de 2010

Nacionalismos dos Trópicos

. . Por Thiago Aoki, com 0 comentários

O cara que pela vez primeira afirmou que Deus é brasileiro deve ser como aquele outro que disse que o trabalho dignifica o homem: no mínimo um otimista. Pois tanto me parece improvável conhecer tal nacionalidade do todo-poderoso, como também essa ideia de que trabalhar leva a uma elevação moral, embora vivamos ambas constatações como se fossem paradigmas irreversíveis. O fato é que mal acaba a copa da África e um surto de nacionalismo parece tomar conta dos meios de comunicação, já prevendo os dois maiores eventos esportivos internacionais em terras tupiniquins, a Copa do Mundo de futebol (2014) e Olímpiadas (2016).

Parece-me um tanto quanto contraditório que vistamos verde-amarelo, exibindo a todos vídeos com nossas belezas naturais e, concomitantemente, joguemos pedra em uma política externa que de algum modo, tenta, finalmente, nos tirar do papel periférico imposto por toda nossa história.

Assim como é quase piada um país tão "nacionalista" e que ainda tenha, todo santo dia a cada esquina, tanto preconceito de classe, cor e gênero. Essa suposta união trazida por eventos esportivos é balela. Balela tão grande como os torcedores que terão oportunidade ($$$) de assistir aos jogos da seleção em 2014, provavelmente, bem diferenciado daqueles que realmente compõem o imaginário do futebol brasileiro em seu cotidiano sem copa.

Mas vindo de um país no qual quem diz "isto é uma vergonha" humilha garis, em que o Lula se alia ao Collor, nosso nacionalismo esquizofrênico é apenas mais umas das inconsistências contemporâneas desse gigante ornitorrinco adormecido.

Há algum tempo atrás, quando frequentava alguns antros anarquistas, estes se vangloriavam pelo célebre lema "sem Deus, sem pátria e sem patrão". A esquerda, noutro sentido, vaiou, em festivais musicais, artistas que possuíam influência do imperialismo ianque, o tal do iêiêiê, música de alienado. A direita, por sua vez, sempre foi pátria, família e propriedade, ainda que Nelson Rodrigues tenha dismistificado a tríade.

Pensando hoje em contradições históricas e todo esse ufanismo esportivo, é recorrente em minha viagem sociológica a Antropofagia dos primeiros modernistas. E me impressiona como a resposta desse movimento atende aos requisitos da globalização que ocorre décadas e mais décadas depois. A ideia é simples a grosso modo: assim como os índios devoram seus inimigos para apropriar-se de suas virtudes, o mesmo deveríamos fazer com as influências externas e com as distintas formas de produção cultural. Valer-se delas para fazer algo novo e com características nacionais. O modelo-síntese é a apropriação shakespeariana do "tupy or not tupy, that is the question", frase utilizada por Oswald de Andrade no psicodélico "Manifesto Antropofágico". Hoje o maior exemplo prático dessa antropofagia talvez seja o Rap brasileiro, que pouco tem de semelhante, em seu conteúdo, com o Rap produzido nos EUA, país de origem. Nesse bololô global, é praticamente impossível pensar em algo genuinamente nacional, unicultural. E nem deve ser, essa suposta pureza seria mais um limite do que uma qualidade. Entretanto é muito viável pensar que uma produção com criatividade nacional tem um valor subjetivo diferenciado para nós, em suma, uma identidade.

Dizer que acreditamos na população, na cultura e na nação brasileira é tão fácil como dizer que acreditamos que Deus é brasileiro. Difícil, porém, é praticar palpavelmente tal crença no dia-a-dia. Aliás, muito dos que praticam, os verdadeiros nacionalistas, sequer querem saber que raios significa essa palavra. E muitos cujos lábios a pronunciam, pouco fazem por merecer tal título.

De qualquer modo, na hora de sermos nacionalista - e, acreditem, eu tento ser - é melhor sabermos diferenciar um Anauê de um Abaporu.


sexta-feira, 9 de julho de 2010

Hereditariedade

. . Por Hugo Ciavatta, com 3 comentários

- Hoje a Espanha venceu a Alemanha, filho, um a zero. Estão na final pela primeira vez na história das Copas. – me disse meu pai, que não gosta, e se acompanha alguma coisa de futebol é bem de longe.
- Um a zero, sim, pai. Mas foi quarta, anteontem. Não????
- Não, não. Foi hoje de manhã, acompanhei o finalzinho.

Um domingo qualquer passado, não importa a data específica, domingos são quase todos iguais, a única diferença entre eles é se está chovendo ou não, basicamente, saí da frente do computador para a frente da TV procurando “algo”. Encontrei uma final de basquete com equipes nacionais. Como não acompanho o esporte, só me lembro de alguns jogadores mais conhecidos, ou de um ou outro técnico, e como o jogo tinha alguns conhecidos, pra mim, resolvi ver até o final. Faltavam apenas três minutos e a diferença de pontos era de dois pontos entre uma equipe e outra. Mas três minutos numa partida de basquete podem durar quase uma eternidade, não foi diferente naquela tarde. Já ia pra mais de meia hora e eu ali, “cheio de coisas pra fazer”, porém, eletrizado na frente da TV com o emocionante final da partida. Cada falta, cada arremesso livre, cada acerto, cada erro, cada tempo técnico, e eu ali, preso, atento. Nervoso, mudava de sofá, ia até a cozinha rapidamente procurar alguma coisa pra comer e voltava correndo. Que emoção, que expectativa!
Enfim, chegam os últimos segundos, e a posse de bola fica com a equipe que estava dois pontos atrás do placar... era a partida decisiva... e com dois passes muito rápidos, um jogador arremessa a bola do meio da quadra em direção a cesta... se caísse, era a virada, era o título, a consagração... ... ... a torcida do ginásio ficou em silêncio por milésimos infinitos, torcendo para a bola não entrar, já que sua equipe estava a frente no placar... e a bola não entrou!
EXPLOSÃO!
Fico de pé na sala de casa, vejo um jogador chutar a bola em direção a torcida, comemorando!
- Ufa!
- Ah, você viu que legal este jogo, Hugo?! Eles foram campeões com a maior emoção. – vira minha irmã, a dois metros de mim, de costas para a TV e até então com os fones na frente do computador dela.
- Nossa, muito louco! Fiquei mó na tensão aqui, que dahora esse jogo!
- É, o técnico campeão tinha avisado, no último “tempo-técnico”, que eles não teriam a posse de bola no último lance, que teriam que marcar tais e tais atletas, e que não poderiam mais errar nenhum lance livre, porque poderiam perder o jogo no último arremesso dos adversários. Como aconteceu, perderam um arremesso livre e ficaram, no fim, apenas dois pontos a frente.
- Ah, você estava acompanhando também, não percebi. Pelo computador?
- Não, Hugo! Esse jogo foi hoje de manha! Isso é uma reprise!!!
- (...)
- Ahahahauhauhauhauha
- (...)

Foi tão emocionante, era como um filme de ação, no cinema, só que diferente porque era “real”, oras! Estava acontecendo bem próximo aos meus olhos, tudo aquilo, aquela expectativa diante da incerteza, da possibilidade de tudo mudar...
Mas era apenas uma reprise...
Outros diálogos que já coloquei aqui não eram reais. Mas hoje não, pois meu pai me mostrou que, de alguma forma, existem muitas, muitas coisas hereditárias...

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O futuro da Literatura Francesa

. . Por Thiago Aoki, com 1 commentário



Só não sei o nome da autora-revelação...

Estavam esperando uma postagem gigantesca né?

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Divulgando - Revista Casuística

. . Por Thiago Aoki, com 0 comentários


Foi lançada, recentemente, a revista virtual Casuística. Quando fui convidado pelo editor e amigo Daniel Gorte-Dalmoro a publicar um de meus textos escrito neste blog ("Intelectuais e a Miséria") na edição 2010, olhei com desconfiança. De fato, nesses tempos sombrios, estamos acostumados a desconfiar quando alguém nos dá a confiança. Entretanto, o conteúdo da revista está surpreendente. Além de muita qualidade, o projeto leva a cabo os pilares que seu subtítulo indica: arte, antiarte e heterodoxias. Como o próprio Dalmoro reconhece, "está difícil falar o que é a Casuística. A idéia original ficou na idéia, mas tenho tentado evitar que ela se torne uma mera coletânea de textos. Para a terceira edição [2010], por sinal, queria ter um núcleo temático mais forte, ainda que não fechado: a arte na cidade e a cidade na arte - tema que era das origens da Casuística, e que, com a Bienal, ganha força". A pluralidade e experimentalidade, neste sentido dão o tom de cada artigo, de cada texto que, em conjunto, propiciam o resgate de cabeças pensantes até então dispersas.

Enfim, melhor do que ler essa discrição e pequeno jabá oferecidos pelo MI, melhor mesmo é visitar o site da Revista Casuística, em versão virtual, totalmente gratuita.

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Para quem tiver interesse:

Se você tem algum projeto, envento cultural , ou trabalho a ser divulgado, envie as informações e nós divulgaremos em nosso "Divulgando".

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