sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Ao Meu Melhor Amigo

. . Por Hugo Ciavatta, com 5 comentários

Meu caro,

Quanto tempo já levamos em companhia um do outro, não? Outro dia me perguntava quando foi exatamente que nos conhecemos, quando fomos apresentados, ou melhor, que me apresentaram a você, né?! ... Talvez tenha sido na faculdade, ou será que foi antes? ... Ah, deve ter sido naqueles tempos ...

Sei lá se é porque fazia tempo que eu não via a primavera, que chegou nesta semana, e como é bonito esse período, mas andei alegrinho demais ultimamente, cheio de pieguices, agradecendo a sorte de ter os amigos que tenho. E, pior, dizendo isso pra eles. E agora, aqui, de novo. Fiquei num balanço dos meus queridos e queridas. E olha que “balanço” é uma coisa que geralmente se faz em final, ou em começo de ano, né? Pois é, resolvi que precisava fazer isso agora, que precisava, mais ou menos, terminar um ano, ou começar outro no meio do caminho, sabe? Parece frescura, e talvez seja mesmo, não nego, meu querido, só acho que é mais um envelhecimento. Me senti mais velho dia desses. E nem é um velho rabugento, ou tão ranzinza assim ... um pouquinho, sim, claro (risos), mas digo isso num sentido de amadurecimento. Lembra que sou um ladrãozinho, né, querido? Então, roubei a fala de uma amiga que me questionou enquanto eu ranhetava contra o termo amadurecer, quando se diz que fulano é uma pessoa “madura”. Me parecia, antes, que se repetíssemos “madura” muitas, rápidas e repetidas vezes, “madura-madura-madura-madura-madura”, no fim, o som produzido seria semelhante a “armadura”. Por isso rejeitava o termo. Minha amiga me desconsertou, como se fosse a “golpes de pincel” – não disse que ando piegas, olha um ataque? –, porque pra ela “amadurecer” é como uma fruta, que quando madura está vermelhinha, docinha, macia. E, ó, nem vem, não estou dizendo que estou que nem “uma frutinha docinha”, hein, rapaz! Olha o respeito, pó parar! O lance é que parece que eu poderia vir aqui pra você e desabafar um monte, angústias que todos temos, imagino. Porém, tenho me sentido pequenino, rindo, e ao mesmo tempo sereno, não querendo me desesperar. Esquizofrenia? Hum, atravesso a rua quando cruzo um consultório (risos).

Às vezes, sinto que algumas coisas perdem a precisão temporal, os dias marcantes. É como se não houvesse mais um momento a partir do qual se estabelecesse um antes e um depois bem específicos. Vivendo inercialmente nos esquecemos dessas coisas. Se bem que, não vejo isso como de todo negativo. "Inércia" não é uma boa palavra pra isso, porque enquanto vivemos, simplesmente vivemos, podemos fazer de todos esses pequenos momentos, desse grande intervalo que é a vida, a beleza da coisa. E não das extremidades, de um início ao presente. Evitamos, desse modo, um exercício de lembranças apenas, seguidos de um prolongado tempo de ausência ... Vamos costurando o bagulho todo nas entrelinhas ... Às vezes, sinto que prefiro pensar assim ... (Confusa essa última frase, não?) ... Mesmo porque, também, de alguns amigos a gente acaba se afastando, não por descaso ou qualquer mal entendido, são acasos somente ... E quando a gente reencontra estes, ah, nossa, nem parece que nos afastamos, é tão estranho de bonito, parece que estivemos próximos de alguma forma, ainda que de fato estivéssemos sem nos falar há muito, não? ... Coisas engraçadas ...

Bem, entre a gente, meu caro, as coisas não foram bem assim, pelo menos não têm sido, né? A gente sempre está se falando, sempre em contato, trocando idéias, se ajudando, se divertinho, próximos mesmo, companheiros de fato. Sempre que eu te procuro, você está aqui do lado, ao alcance, te jogo algumas palavras e você me dá outras tantas, textos, a prosa é sempre um grande prazer. Quantas vezes não sabia nem o queria dizer direito, titubeando, e você estava ali me ajudando a tentar dizer melhor, desvendando o que eu queria dizer. O quanto me ensinou, porque amizade é mesmo um grande aprendizado, nem consigo imaginar. Você me dá acesso a outro mundo, praticamente, através de você descobri coisas incríveis, saio da minha realidade ... E só vejo você crescendo nesse tempo todo. Que massa. Nem consigo falar muito sobre essas coisas, você também é todo especial, cheio de mistérios, ao mesmo tempo que muito claro, sei lá, não sei (te) explicar. É assim, cara. Simplesmente.

Mas era isso, só queria te agradecer.
Muito obrigado,
Google!

Um abraço,
1° Quase irônico, 2° e 3° Eu mesmo, 4° Já sem propósito
(Ordem dos Parágrafos)
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Quando assisti ao Mary And Max, fiquei muitíssimo assustado, acho que deveria ser classificado como uma "animação-terror". E quero, com isso, elogiar um belíssimo filme, que além de muito bem feito, traz uma história impressionante!

5 palpites:

Caraca Hugo,
da uma olhada nesse link. Parece que vcs tiveram idéias muito parecidas em contextos totalmente diferentes.

http://fsfla.org/svnwiki/blogs/lxo/2010-02-14-bye-bye-google

Márcio

Interessante, Márcio.
Obrigado.

Nossa... quando começamos a agradecer à amizade do grande Google, fico com impressões dúbias. Uma delas é a de que as coisas já conspiram de verdade. Que meda.

Obrigado pela sugestão do filme.

A escolha da letra diferente aos posts foi proposital? No sentido de parecer uma carta? Se não, deveria ter sido...

Ó-T-E-M-O

Pena que só o google ganhou uma carta...

Beijos

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