quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Conversa Absurda

. . Por Hugo Ciavatta, com 4 comentários

Passou o tempo de festas... Mas, por ele apareceu um texto de Drummond, Organiza o Natal, em que o poeta conta as considerações sobre o período. Drummond enlouquece de tantos sonhos, desejos e projeções, já que naquele momento as pessoas viveriam de maneira diferente. A expectativa do poeta é de que os tempos se invertam, ao invés de vivermos assim somente naquele período, iríamos viver cada vez mais nele o ano todo, até que todo o tempo seria Natal. O Natal é o tempo da solidariedade, da compaixão, da simpatia, do Amor e, segundo Drummond, isso contagiaria as relações políticas, sociais. Não esqueçamos, também, é tempo de “novos planos”, pois o ano chega perto do fim, e o próximo anseia-se que seja melhor.
Parece que, em Drummond, o tempo é uma corrente (da qual se desconhece o início e o fim, mas pela qual passamos, e ela, ao mesmo tempo, nos atravessa, indefinidamente) de duas porções, no caso, a do Natal e a do Não-Natal. Mais, com uma dimensão, de certa forma, cíclica, porque de acordo com as convenções de medida, ou melhor, o calendário, encontraríamos as “duas porções” durante o ano. Porções que teriam intervalos desiguais durante a passagem de um ano. Claro, o Natal seria mais curto. No entanto, conforme essa corrente fosse passando, ano a ano, nas expectativas levantadas pelo poeta, mais uma vez, os intervalos se modificariam até que uma deixaria de existir, a do Não-Natal.
Às vezes, se o tempo permitisse, interessante seria o resultado de um diálogo absurdo entre aquele Drummond e o Fernando Pessoa do poema Andei léguas de sombras: “Andei léguas de sombra/ Dentro em meu pensamento./ Floresceu às avessas/ Meu ócio com sem-nexo,/ E apagaram-se as lâmpadas/ Na alcova cambaleante./ Tudo prestes se volve/ Um deserto macio/ Visto pelo meu tato/ Dos veludos da alcova,/ Não pela minha vista./ Há um oásis no Incerto/ E, como uma suspeita/ De luz por não-há-frinchas,/ Passa uma caravana./ Esquece-me de súbito/ Como é o espaço, e o tempo/ Em vez de horizontal/ É vertical.
Que merda, se o tempo é vertical, quer dizer que ele sobe e desce? Só sobe, ou só desce? Não sei. Talvez não, se houver movimento no tempo vertical, digamos, quem sabe, que haveria somente uma mudança de perspectiva. Sem muita reflexão, é possível que assistíssemos a passagem do tempo, como a um programa de TV transmitindo o trânsito de elevadores. Como se o tempo levasse muitas coisas pra cima e pra baixo, ao mesmo tempo em que nós também transitaríamos pelos andares, mudando, trocando. Do mesmo jeito que a tradicional perspectiva horizontal nos daria um movimento simultâneo, nosso e do tempo, do tempo passando pela gente e da gente passando pelo tempo, tal qual o texto de Drummond. Pode ser. Hum, mas se o tempo fosse vertical, de outra forma, sem movimento, poderia significar que o tempo não passa, que o tempo não corre, ou voa. O tempo estaria parado. O tempo simplesmente olharia, o tempo esperaria. Nós é que nos movimentaríamos pra lá e pra cá, correríamos, lutaríamos, fugiríamos, seguiríamos, então, passaríamos. Com que tipo de gente Pessoa conversava?
E se, chegada a noite do dia 31 de dezembro,
(ver tirinha em
http://autoliniers.blogspot.com/2010/01/liniers-macanudo-el-humor-de-macanudo.html)
e estiver atrasado para o fim e o começo, dos anos que se encontram? Tem que correr. Só vivemos cada coisa em seu tempo, que passa. Há de se aproveitar então. Na vida, que é uma só, não se pode estar atrasado, faça, corra, conquiste! Imagine, chegar atrasado no ano, que atraso de vida!
E Drummond, no final do texto, além de tudo, também pede pra que os sonhos dos poetas possam se tornar realidade. Vai ver, começava a dar-se conta de que estava “sem-noção”...
Pois na véspera do Natal, ouvia eu nestes dias, é possível lucrar mais indo a uma ceia que a outra. Não, não é extrair um valor a partir da compra-venda-troca de seja lá o que houver, não. É um cálculo simples, uma escolha que considera ainda possibilidades de memória, excluindo-as, para o qual ir a um lugar pode resultar maior proveito com, ou das pessoas.

Faltava aos caras umas aulinhas de RH.
Fim de papo!
"Que é pois o tempo?
Se ninguém me pergunta,
Sei,
Se alguém pergunta e quero explicar,
Não sei mais
."
(Santo Agostinho)

4 palpites:

putz, o tempo é um dos temas mais difíceis para mim, preciso digerir essa conversa supostamente absurda...

chinês, você está completamente enganado. o tempo é uma coisa totalmente simples, como o hugão provou por a+b na chave que soluciona o texto:

bota um fim arbitrário e "fim de papo"

mais que isso é bobagem...

hugão: desse negócio de vertical e horizontal eu entendi nadica...

peche

Um texto irônico com um comentário do Sr.Ironia, quanta ironia...

Cara: que coisa doida esse lance de tempo vertical/horizontal/diagonal/elevador/voyer HAHAHAHA
muito bom!

    • + Lidos
    • Cardápio
    • Antigos